Nota da autora: Esta é a última crônica da Série Alma Inteira - Entre o Palco e a Fresta. O convite de Jesus, 'Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei', é o nosso roteiro. Não precisamos mais sustentar o palco da perfeição. Podemos, sim, abrir a fresta da nossa verdade. O Evangelho nos liberta do peso do orgulho e do medo, e nos convida a trocar o fardo pesado da autoexigência pelo jugo suave da humildade. Que esta série seja o seu lembrete: você não está sozinho. O Amparo está sempre disponível, esperando apenas que você tenha a coragem de ser Alma Inteira: humana, imperfeita e profundamente amada pelo Cristo.
Depois de tudo o que se revela: o silêncio, o orgulho, o medo de pedir ajuda, a dor escondida atrás do trabalho, resta uma pergunta inevitável:
Quem sustenta quem sustenta?
É aqui que Jesus entra.
Não como figura distante, nem como exigência impossível.
Mas como caminho vivo.
Jesus nunca pediu perfeição.
Nunca exigiu que alguém estivesse pronto.
Nunca constrangeu quem sofria por ainda não saber caminhar
direito.
Ele olhava, acolhia e dizia: "Vinde a mim, todos os que
estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mateus 11:28).
O amparo de Jesus não começa quando acertamos.
Começa quando reconhecemos que estamos cansados.
Que não damos conta sozinhos.
Que também tropeçamos, mesmo servindo.
Na casa espírita, feita de pessoas, o Cristo continua
ensinando do mesmo jeito:
Não pela cobrança, mas pelo exemplo.
Não pelo julgamento, mas pela presença.
Ele ampara quando o trabalhador entende que pedir ajuda não
é fracasso.
Ele sustenta quando alguém larga o orgulho e se permite ser
cuidado.
Ele guia quando a verdade vence o medo de parecer fraco.
Jesus mostra o caminho sem empurrar.
Ilumina sem invadir.
Espera na porta, respeitando o tempo de cada um.
E o caminho que Ele propõe é simples, embora exigente:
Verdade interior, humildade sincera, amor em movimento.
Não é um caminho de heróis espirituais.
É um caminho de gente real.
Gente que cai, levanta, aprende e segue.
Quando a casa entende isso, ela se fortalece.
Quando o trabalhador compreende isso, ele respira.
Quando a dor encontra acolhimento, a fé deixa de ser peso e
vira sustento.
Jesus não nos chama para sermos impecáveis.
Nos chama para sermos honestos.
E é nessa honestidade, humana e imperfeita, que o amparo
acontece.
O caminho continua sendo Ele.
Sempre foi.
E continua aberto para quem, cansado ou forte, decide dar o
próximo passo.
E é nesse ponto que Jesus se aproxima.
Não como quem resolve tudo por nós, mas como quem ensina o
caminho. Ele nunca prometeu ausência de dor, nem poupou ninguém da travessia. O
que Ele faz é amparar enquanto caminhamos, esclarecer enquanto tropeçamos e
sustentar quando finalmente temos coragem de ser verdadeiros.
Jesus não infantiliza a alma, educa. Não invade, aguarda. E
quando a fresta se abre, por menor que seja, Ele passa. Silencioso, firme,
amoroso. Mostrando, mais uma vez, que o caminho do amparo começa quando a alma
aceita crescer.

Comentários
Postar um comentário