Não fraco diante do mundo, mas fraco diante do grupo. Fraco diante daqueles que acostumaram a nos ver firmes, disponíveis, equilibrados.
Na casa espírita, esse medo ganha contornos delicados.
A pessoa trabalha, estuda, acolhe, orienta, e aprende, silenciosamente, que precisa sustentar uma imagem. A imagem de quem "já entendeu", de quem "já venceu certas fases", de quem não pode tropeçar de novo nos mesmos pontos.
E então a casa vira palco.
Não por vaidade explícita, mas por autoproteção.
Mostra-se o que está pronto. Esconde-se o que ainda dói.
A dor não desaparece. Ela apenas se recolhe.
Vai para os bastidores, onde ninguém aplaude, ninguém vê, ninguém toca.
O problema é que sustentar essa imagem cansa.
Cansa fingir estabilidade quando o chão interno treme.
Cansa sorrir quando o coração pede pausa.
Cansa ser referência quando se precisa, desesperadamente, ser cuidado.
Mas o medo do julgamento fala mais alto.
E assim, a pessoa prefere calar a verdade a arriscar a própria humanidade.
Só que não existe crescimento onde não há verdade.
E não existe cura onde tudo precisa parecer bem.
A casa espírita não foi feita para plateia.
Foi feita para encontro.
E encontro verdadeiro só acontece quando alguém tem coragem de sair do palco.
Quando a máscara cai, o trabalhador se permite ser humano, e é nessa humanidade que o amparo real se manifesta.

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