#32 - O Risco de Ser Fraco

Existe um medo que quase ninguém confessa: o medo de ser visto fraco.

Não fraco diante do mundo, mas fraco diante do grupo. Fraco diante daqueles que acostumaram a nos ver firmes, disponíveis, equilibrados.

Na casa espírita, esse medo ganha contornos delicados.

A pessoa trabalha, estuda, acolhe, orienta, e aprende, silenciosamente, que precisa sustentar uma imagem. A imagem de quem "já entendeu", de quem "já venceu certas fases", de quem não pode tropeçar de novo nos mesmos pontos.

E então a casa vira palco.

Não por vaidade explícita, mas por autoproteção.

Mostra-se o que está pronto. Esconde-se o que ainda dói.

A dor não desaparece. Ela apenas se recolhe.

Vai para os bastidores, onde ninguém aplaude, ninguém vê, ninguém toca.

O problema é que sustentar essa imagem cansa.

Cansa fingir estabilidade quando o chão interno treme.

Cansa sorrir quando o coração pede pausa.

Cansa ser referência quando se precisa, desesperadamente, ser cuidado.

Mas o medo do julgamento fala mais alto.

E assim, a pessoa prefere calar a verdade a arriscar a própria humanidade.

Só que não existe crescimento onde não há verdade.

E não existe cura onde tudo precisa parecer bem.

A casa espírita não foi feita para plateia.

Foi feita para encontro.

E encontro verdadeiro só acontece quando alguém tem coragem de sair do palco.

Quando a máscara cai, o trabalhador se permite ser humano, e é nessa humanidade que o amparo real se manifesta.

 

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