Há datas que passam pelo calendário.
E há datas que atravessam a alma.
O Natal é uma delas.
Não porque um menino tenha nascido numa noite específica, mas porque uma direção foi oferecida à humanidade. Jesus não veio para ser apenas celebrado. Veio para ser seguido: passo a passo, queda a queda, recomeço a recomeço.
A literatura espírita nos lembra disso com suavidade e firmeza. Na Revista Espírita, em mensagem de 1862, somos convidados a ampliar o olhar: não apenas festejar o nascimento do Cristo, mas reconhecer o nascimento de uma Doutrina que cresce, amadurece e ensina o mesmo caminho, o do amor vivido, não apenas anunciado.
Jesus não aponta atalhos.
Ele aponta o caminho possível.
Possível para quem erra.
Para quem cai.
Para quem tenta e ainda não consegue.
Por isso Ele não se impõe como rei distante, mas como menino.
Porque a verdade que transforma não grita, convida.
A Doutrina Espírita, nascida sob esse mesmo sopro, não veio substituir consciências, mas despertá-las. Não veio alimentar privilégios espirituais, mas responsabilidade. E não veio nos dizer quem somos, mas quem podemos nos tornar.
A imagem da árvore usada na mensagem é clara e exigente:
o fruto não é para ser guardado.
É para ser repartido.
E repartir, aqui, não é convencer.
É viver.
Viver com mais mansidão.
Com mais honestidade consigo mesmo.
Com mais paciência diante das imperfeições, próprias e alheias.
Este texto é também um desejo.
Talvez ele seja lido por alguém que ainda não conheço.
Mas se um dia chegar a você, que ele leve apenas isso:
um convite sem pressa.
Um lembrete sem peso.
Que o Natal não seja apenas memória de um nascimento,
mas coragem diária de caminhar.
Porque o Menino que mostra o caminho
continua passando:
não pelos palcos,
mas pelos corações dispostos a segui-lo.
Que as festas tragam recolhimento,
que o novo ano traga verdade,
e que cada passo seja dado com mais luz do que ontem.
Boas festas.
E uma boa travessia de alma inteira!
*Leia o artigo completo citado na Revista Espírita clicando aqui!

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